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A ecografia abdominal é um exame minimamente invasivo e bastante exaustivo, ou seja, todas as estruturas da cavidade abdominal são metodicamente avaliadas, de forma a obter um exame fiável que não deixe passar despercebida uma patologia oculta.
Vão ser examinados todos os orgãos abdominais, incluindo fígado, vesícula biliar, pâncreas, baço, estômago, intestinos, rins, ureteres, bexiga, glândulas adrenais, próstata e testículos nos machos, e ovários e útero nas fêmeas. Serão também estudados o mesentério e os linfonodos, bem como a vasculatua e superfícies serosas desta cavidade.
A confirmação e o seguimento ecográfico de uma gestação mostra-se particularmente importante em raças seleccionadas e predispostas a problemas de parto, uma vez que determina, em tempo real, a viabilidade dos fetos e das estruturas uterinas. Adicionalmente, o exame ecográfico permite estadiar, ainda que de forma aproximada, o tempo de gestação e, consequentemente, a data de parto, sendo útil na sua calendarização e planeamento. Permite ainda acompanhar o correcto desenvolvimentos de todos os orgãos fetais.
O diagnóstico definitivo realiza-se a partir do 21o dia após a cobrição, na gata, e 25o dia na cadela. É possível estimar o tamanho da ninhada não sendo, no entanto, o exame mais sensível para este fim (no último terço da gestação a radiografia permite uma contagem precisa).
Neste tipo de ecografia vão ser avaliados os contornos dos lobos pulmonares, a superfície pleural, os vasos sanguíneos, os linfonodos mediastínicos, e estudadas possíveis alterações da sua morfologia. Quando normais, as estruturas intratorácicas são difíceis de avaliar devido á presença de ar nos pulmões. Desta forma, este exame revela-se extremamente útil quando existem alterações (derrame pleural, consolidação ou colapso pulmonar, presença de massas/nódulos).
Algumas destes achados são de difícil ou impossível avaliação noutros meios de diagnóstico báscio como a radiografia, tornando a ecografia um ponto chave na progressão diagnóstica. Ainda assim, é importante reter, que existem exames complementares que nunca devem ser postos de lado (radiografia torácica, TAC, Ressonância Magnética).
A região cervical é anatomicamente complexa, no entanto, o exame ecográfico pode ser vantajoso no estudo de doenças que afetam alguns orgãos, nomeadamente a laringe, a tiróide e as glândulas paratiróides. Permite também avaliar os tecidos e outras estruturas adjacentes como glândulas salivares, vasos sanguíneos, linfonodos e cordas vocais.
Uma sedação ligeira do paciente pode ser necessária para promover o relaxamento completo
do pescoço.
A ecografia ocular é, geralmente, realizada com o paciente acordado, sendo colocado um anestésico tópico uns minutos antes do início do exame.
É uma técnica simples e útil para a visualização de estruturas intra-oculares, nomeadamente a córnea, a câmara anterior, o corpo ciliar, a lente, o humor vítreo, a retina e o nervo óptico. Torna-se assim muito eficaz na deteção de luxação da lente, descolamentos de retina, presença de cataratas e
despiste de massas/abcessos/quistos retrobulbares.
A técnica ecoguiada de bióspia percutânea utiliza agulha semi-automáticas trucut para obter uma amostra maior de tecido, conservando a sua arquitetura. Estas amostras – orgãos, nódulos e/ou massas intracavitárias – são depois submetidas a exames laboratoriais mais complexos (histopatologia e microbiologia) que facilitam a chegada a um diagnóstico definitivo.
Por ser necessária sedação profunda/anestesia do animal e estar associada a maiores riscos de sangramento, deve ser realizada em ambiente hospitalar para correto controlo de hemorragia e recuperação do paciente. A realização de um hemograma e provas de coagulação prévias ao exame é imperativa.
A biópsia ecoguiada é um serviço complementar, sendo exigido um exame ecográfico prévio realizado pela DVM ou centros de ecografia de referência.
A PAAF (Punção Aspirativa por Agulha Fina) é um procedimento com grande valor no estudo de patologia de orgãos, nódulos e/ou massas. A ecografia associa-se a esta técnica para a tornar mais segura e eficaz: a visualização da agulha permite direccioná-la corretamente para a estrutura/lesão alvo, evitar zonas muito vascularizadas e colher amostras mais representativas que serão, posteriormente, analisadas em laboratórios certificados.
A PAAF ecoguiada é um serviço complementar, sendo exigido um exame ecográfico prévio realizado pela DVM ou centros de ecografia de referência.
Uma técnica ecoguiada de aspiração mais simples, como por exemplo a colheita direta de urina (cistocentese), pode ser realizada com o paciente acordado. No entanto, para drenagens e centeses mais complexas é necessária uma ligeira sedação. Estão incluídas neste grupo as drenagens de efusão pericárdica, de efusão pleural, ascite, quistos/abcessos/outras locas de liquido e colheta de bílis.
A drenagem ecoguiada é um serviço complementar, sendo exigido um exame ecográfico prévio realizado pela DVM.